"Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo". A célebre frase do pedagogo Paulo Freire ressalta a relevância da educação como meio de transformação global, não apenas se restringindo a questões puramente da raça humana, mas abrangendo o meio ambiente também.
No intervalo de tempo entre esses desastres, na necessidade de se alinhar um desenvolvimento econômico e industrial com a proteção ao meio ambiente, foi elaborado o que conhecemos hoje como engenheiro ambiental. Esse profissional busca promover o desenvolvimento sustentável integrando dimensões ecológica, tecnológica, econômica e social, através de conhecimentos multidisciplinares. Com esse perfil, além de atuar em estudos e soluções de problemas ambientais, pode-se indagar o papel do engenheiro ambiental na transmissão de saberes relativos ao meio ambiente.
De acordo com o Código de Ética Ambiental do Comitê de Engenharia e Meio Ambiente da Federação Mundial dos Engenheiros (FMOI), o profissional da engenharia deve usar seu talento, conhecimento e imaginação para auxiliar a sociedade a impedir danos ao meio ambiente, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de toda a população. Em harmonia com tal concepção, levando em consideração o conhecimento em diferentes áreas do engenheiro ambiental, pode-se contemplar o papel de educador ambiental a esse engenheiro.
Como a maior parte das definições de meio ambiente
encontradas nas bibliografias inserem o ser humano como parte desse, todos nós teríamos
responsabilidades sobre o meio ambiente. Contudo, o engenheiro ambiental, detendo
de informações ligadas à ecologia, ciências do solo, saneamento, hidrologia,
resíduos e poluição, agregaria um maior desenvolvimento de conhecimentos,
atitudes, habilidades, valores e motivações ao compartilhar de sua aprendizagem
com a sociedade, demonstrando o equilíbrio do ecossistema, nossa participação
no meio e soluções para as adversidades.
A educação ambiental, conforme a Lei nº 9.795 de 1999, é um
componente essencial e permanente da educação formal e não formal, em todos os
níveis e modalidades do processo educativo, além de incumbir essa
responsabilidade às empresas e instituições públicas e privadas. Dessa maneira,
o campo se torna vasto para atuação de educador do engenheiro ambiental.
Ademais, devido à significância do desenvolvimento cognitivo na infância, a
educação ambiental na educação infantil seria de grande magnitude para
construir conhecimentos, princípios, valores e a percepção do indivíduo como
parte do meio ambiente.
A atuação do
engenheiro ambiental como educador ambiental seria de grande relevância para a
natureza, posto que o compartilhamento das informações de sua formação
agregaria e promoveria transformações globais. Dessa maneira, o ser humano
assumiria sua responsabilidade como sendo parte do meio ambiente. Segundo o ecologista Genebaldo Freire
Dias, “O meio ambiente só irá respeitar o homem se houver respeito recíproco. E
o homem só respeitara o meio ambiente se respeitar a si mesmo”.
Fontes:
- DREW, David. Processos interativos homem-meio ambiente. 6ªed. Rio de Janeiro: Bertrand, 2005.
- Organização Mundial da Saúde (org.). COVID-19 Explorer. 2021. Disponível em: https://worldhealthorg.shinyapps.io/covid/. Acesso em: 19 abr. 2021.
- TONIN, Ivone Borges da Costa. Valores de futuros engenheiros ambientais
sobre o meio ambiente. 2015. 119 f. Dissertação (mestrado) - Universidade
Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Filosofia e Ciências,
2015. Disponível em: http://hdl.handle.net/11449/123692.
- BRASIL. Lei nº 9.795 de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Brasília: 1999. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9795.htm. Acesso em: 19 abr. 2021
- DIAS, Genebaldo Freire. Educação Ambiental: Princípios e Práticas. 8. Ed. São Paulo: Gaia, 2003


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