Os elementos químicos surgiram a partir do Big Bang, da explosão de estrelas ou de reações nucleares no interior delas. Esse é o princípio da famosa frase de Carl Sagan, “somos feitos de material de estrelas”, todos os átomos de carbono, oxigênio e nitrogênio de nossos corpos vieram das estrelas. Mas como teríamos, então, o aporte necessário de elementos, como o carbono e nitrogênio, para garantir a sobrevivência e o nascimento dos seres vivos da Terra? Seria inviável, e pouco agradável, depender de explosões envolvendo estrelas maiores que o Sol para termos acesso novamente a esses compostos, mas contamos com a ajuda dos heroicos decompositores e de seu processo de decomposição.
Podemos definir a decomposição como um processo pelo qual a matéria orgânica morta é gradualmente desintegrada pela ação de microrganismos, transformando moléculas complexas em nutriente inorgânicos, água e dióxido de carbono (CO2). Entende-se por matéria morta não somente restos mortais de organismos, mas também de seus resíduos, como as folhas, pelugens, fezes e a pele.
O progresso da decomposição da matéria orgânica é afetado pela umidade, oxigênio e principalmente a temperatura. A umidade viabiliza a proliferação dos microrganismos decompositores. A temperatura influencia enormemente o metabolismo desses seres, podendo aumentar em temperaturas ideais e diminuir o metabolismo em temperaturas baixas, motivo pelo qual encontramos mamutes em ótimo estado de preservação em regiões glaciais na Sibéria e no Alasca. Por fim, o oxigênio viabiliza a respiração celular dos microrganismos decompositores aeróbios.
Os animais detritívoros, caracóis, minhocas, urubus e
camarões, se alimentam da matéria morta, fragmentando essa matéria, aumentando
a área superficial e transformando os compostos para serem assimilados pelos
decompositores. Ademais, as bactérias decompositoras e os fungos são os agentes
decompositores, de modo que a variabilidade de espécies é que possibilita a
decomposição da matéria, através das enzimas que catalisam as reações de
degradação.
O processo de decomposição é fundamental para a ciclagem de nutrientes nos ecossistemas, podendo imobilizar e mineralizar repetidas vezes as moléculas complexas oriundas da matéria orgânica morta. No fim desse processo, os nutrientes inorgânicos podem ser assimilados pelos seres vivos, especialmente as plantas verdes, dando início novamente ao ciclo. O pai da química, Lavoisier, sintetiza muito bem todo esse processo: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
- BEGON, Michael et al. Ecologia: de indivíduos a ecossistemas. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.
- SAGAN, Carl. Cosmos. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.
- SILVA, Laura Vívian Barbosa. Estudos ecológicos sobre a decomposição de serapilheira em vegetação de cerrado. 2009. 71 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ecologia e Conservação de Recursos Naturais, Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2009. Disponível em: https://repositorio.ufu.br/handle/123456789/13311. Acesso em: 13 abr. 2021.
- https://www.publico.pt/2013/05/29/ciencia/noticia/mamute-congelado-descoberto-ainda-com-sangue-1595887
- https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2019/11/cientistas-recriam-o-big-bang-em-laboratorio-acidentalmente.html
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