Você já parou para pensar o quanto o contato com a natureza é importante para nós seres humanos. Segundo o especialista no assunto Richard Louv, o ser humano precisa ter contato com a natureza ao longo de sua vida, especialmente na infância, para se desenvolver melhor e ter uma vida mais saudável.
(Richard Louv)
No Brasil, grande parte da população mora em centros urbanos de acordo com dados da
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2015 84,72%, vivem em áreas
urbanas e 15,28% vivem em áreas rurais. Considerando que grande parte da população mora
em centros urbanos e devido à sua rotina, a maioria infelizmente não conseguem ter esse
contato direto com a natureza.
A ciência tem feito um estudo em cima da proximidade da natureza e das experiências
vividas no ambiente natural, relacionando o contato com a natureza com a melhora de
questões físicas e mentais. Para definir essas questões físicas e mentais, Richard Louv criou
um termo no qual ele classifica esses transtornos como “Transtorno do déficit de natureza”
segundo ele o termo “Transtorno do déficit de natureza não é, de forma alguma, um
diagnóstico médico. É um termo que criei para definir várias questões físicas e mentais
associadas, em parte, a uma vida desconectada da natureza. Entre eles: redução do uso dos
sentidos, dificuldades de atenção, taxas mais altas de doenças como miopia, obesidade
infantil e adulta, deficiência de vitamina D e outras enfermidades” (Louv,2017,p. 4).
Um dos objetivos de Louv é mostrar o quanto é importante que as crianças beneficiem
dessas experiências na prática, pois como ele relata, “Em muitos países, a sociedade está
ensinando os jovens a evitarem experiências diretas com a natureza. Essa “aula” é dada em
escolas, famílias e até mesmo em organizações dedicadas a atividades ao ar livre, além de
estar codificada nas estruturas legais e reguladoras de muitas comunidades. As nossas
instituições, o nosso planejamento urbano e as nossas atitudes culturais associam,
inconscientemente, a natureza a coisas ruins. Ao mesmo tempo, desassociam a natureza da
alegria e do prazer da solitude” (Louv,2017,p. 3). Para ele é preciso modificar os hábitos,
desenvolvendo objetivos para restaurar o vínculo dos jovens com a natureza.Pesquisas feitas no Laboratório de Pesquisas Homem -Ambiente, da Universidade de Illinois,
têm mostrado que as crianças que interagem com brincar ao ar livre, têm sintomas de
transtorno do déficit de atenção reduzidos. Além disso, o ambiente natural promove a
expansão dos sentidos, mas devido a esse desconexo com a natureza esses sentidos vem
sendo afetados “Os cientistas que estudam os sentidos humanos já não falam sobre cinco
sentidos: os mais conservadores citam nove ou dez; outros cientistas afirmam que os seres
humanos têm até 30 sentidos. Especialmente em ambientes urbanos, mas cada vez mais
também em áreas rurais, crianças e adultos estudam e trabalham envoltos em um ambiente
digital, onde gastam energia considerável bloqueando muitos de seus sentidos, a fim de seconcentrarem na tela em frente aos seus olhos. Isso, para mim, é uma definição de estar
menos vivo. O ponto aqui não é ir contra a tecnologia, mas encontrar o equilíbrio. Quanto
mais “high tech” nossas vidas se tornam, mais precisamos de natureza”(Louv,2017,p. 4).
Fonte:
Children & Nature Network Research Library:
http://www.childrenandnature.org/learn/research/
Texto escrito por:
Liliam Coelho



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